O que move a montanha?

O ser humano tem uma necessidade nata de provar o contrário para todo mundo. Muitos, frente a uma situação humilhante, vão lá e provam que não são “qualquer um”. Outros, imbuídos de um sentimento de raiva ou de justiça, promovem grandes mudanças em suas vidas. Ora passam o tempo tentando mover a montanha, ora é Maomé não está muito afim de se mexer.

Diante deste cenário, não nos atentamos a outros dois grupos de seres humanos:

O primeiro é o dos que aqui estão para provocar os eventos desagradáveis a fim de movimentar os que se encontram parados, estagnados. Não são facilmente identificados, costumam se camuflar entre amigos, parceiros e familiares. Mas, a médio ou longo prazo, passamos a observar suas atitudes sabotadoras, atuam com caráter duvidoso e atacam por imoralidade, inveja, raiva… — ou, para os que creem, por um quitação espiritual, o famigerado “karma”. A repetição dos padrões nos certificam deste grupo.

O segundo é o dos que não precisam de momentos difíceis para agir. Na verdade, geralmente não precisam de nada além de si mesmos e de algo a ser feito — e, para os que acreditam, aceitam uma “mãozinha” da inspiração divina. Podem ser considerados criativos ou impetuosos, costumam movimentar a “água parada” para que esta possa trazer mais benefícios e não “doenças”. Não significa que não passem por situações complexas, injustiças ou humilhações, só não precisam delas para andar para frente. Nesses casos, costumam ser alvo do grupo acima em virtude de uma mira descalibrada, ou do vício que aqueles têm de causar problemas onde,de fato, não há.

O ser humano é resultado de suas escolhas e é importante saber qual combustível usará para agir em prol de si e dos demais. Decidir ser o Maomé que se move ou a montanha rigidamente fixa pode conter a chave para a mudança de uma série de eventos daqui para frente, transformando a fluidez de suas ações e seus resultados. Olhe para sua história e pense: qual é o seu combustível?
Anúncios

A era do faz-de-conta

Há quem faça da própria vida um faz-de-conta. Essas pessoas fazem de conta desde a mais ínfima das tarefas até mesmo as grandes coisas. Quer ver só? Tem gente que faz de conta que é amável, empático e politizado. Há os que fazem de conta que são responsáveis, que trabalham demais e que, uau, cuidam de toda uma rotina composta por jornadas duplas, triplas… Pessoas que fazem de conta que se preocupam com os seus, que sentem desejo e até que amam.

Esse faz-de-conta é tão bem feito que costuma convencer tanto os que ouvem quanto os próprios que disseminam suas historinhas. Agora, vamos virar uma chave importante dessa discussão. O nome desse faz-de-conta é mentira. Leia tudo de novo substituindo pelo nome certo e me encontre neste parágrafo para continuarmos.

[Pausa]

Forte demais? Não, nem é. A verdade é que estamos habituados a mascarar sentimentos, sensações, ora para não machucarmos alguém, ora para não cairmos num abismo de tristeza e realidade. Por isso, há tantos relacionamentos deteriorados, mas muito bem maquiados de selfies, corações e declarações.

Calma lá, não estou dizendo que todo relacionamento é uma mentira. Mas, alguns são, sim. Infelizmente, há casos em que somente um dos dois sabe disso; outros em que um sabe e o outro se engana; outros ainda que ambos se enganam. Passam a vida batendo e assoprando, acreditando que esta é uma forma de se relacionar bem — só que não passa de uma forma de se relacionar, ponto.

Mentir é um vício como o cigarro, o álcool ou qualquer outro tipo de droga. Você começa com uma mentirinha aqui, outra ali, e quando vê está atuando 100% do tempo. “É só uma pequena omissão”, dizem alguns. Mentira. A autoindulgência é uma forma de procurar aliviar a culpa, mas ela não exime do erro. A falsa propagação continua presente, é um fantasma que irá acompanhá-lo durante todo o tempo, forçando-o a repetir e aperfeiçoar o teatro. E, uma hora ou outra, a máscara cai.

Saia do faz-de-conta, da autoindulgência, da mentira, pelos outros e por si. Todo vício é prejudicial à saúde e pode causar sequelas, talvez, incorrigíveis. Viver no faz-de-conta é viver pela metade, é usar o corpo como veículo de uma ilusão que fere e mata um pouco por dia.

Deixe ser

Pare de falar que falta amor no mundo. Não falta. O que falta é demonstração. E demonstração não é prova, é tornar explícito o amor que sente. Deixe que o mundo se mostre, sem se queixar, sem achar que só você pode mostrar que é feliz. Deixe o mundo ser.

Um incêndio acendeu nossa união

Você pode não conhecer a Maria. Aliás, Mariah. Mulher batalhadora, 3 filhos e um neto. A nossa Mariah perdeu TUDO num incêndio criminoso. A polícia já está atrás do suspeito, mas não sobrou NADA pra contar história. Mariah está só com a roupa do corpo. Ela precisa da sua ajuda.

No dia 25 de dezembro de 2016, às 6h30, os bombeiros foram acionados para a chamada que mudou a vida de Mariah.

Um incêndio criminoso tomou a casa de Mariah Ribeiro, uma talentosa e reconhecida manicure, muito querida por seus clientes e amigos. Mariah morava com seus dois filhos, um de 13 e outro de 19 anos, em Sorocaba/SP. Por sorte, ninguém estava no local quando o incêndio começou. A polícia já está atrás do suspeito.

Não sobrou nada.

Agora, Mariah precisa da nossa colaboração. Ela tem recebido bastantes roupas e mesmo o que não serve servirá, pois estamos organizando os bazares que acontecerão até que ela reerga sua casa.

No entanto, Mariah necessita do material de construção. Claro, é necessário um teto para rechear de móveis e amor.

Veja a Vakinha que está rolando!

Colabore também com a reconstrução do lar de Mariah Ribeiro.
Todo mundo merece começar 2017 bem.

Rechonchudos versus Franzinos

Em uma cidade oriental, havia dois clãs historicamente adversários, os Rechonchudos e os Franzinos. Por serem fisicamente mais fortes, os Rechonchudos batiam nos Franzinos sempre que os encontravam. Mas, entre os Rechonchudos, havia um ou outro que não concordava com a prática e que, simplesmente, seguia seu rumo ao trombar com um Franzino. Os Rechonchudos usavam trajes iguais e eram bem parecidos, assim como os Franzinos. Por não saber o que esperar, o Franzino procurava ficar do outro lado da cidade a fim de não ter surpresas – o que nem sempre era possível, já que os melhores produtos estavam lá nas bandas dos Rechonchudos.

Certo dia, um Franzino teve que atravessar a cidade para comprar o melhor saquê da região, que estava, obviamente, na comunidade dos Rechonchudos. Nas poucas vezes em que saiu das “abas” de seu clã, este Franzino nunca teve a sorte de encontrar um Rechonchudo mais amistoso, voltando para casa sempre muito machucado. Já cansado de apanhar, resolveu carregar consigo uma faca para se proteger. Há poucas quadras do mercado, ele se deparou com um Rechonchudo. Não pensou duas vezes e zaz!

O Rechonchudo olhou firmemente em seus olhos. Ensanguentado, mas ainda em pé – afinal era um Rechonchudo -, disse “meu amigo, não sei em que filme você está vivendo, mas eu não faço parte dele.” E foi embora, depois do primeiro soco dado num Franzino em toda sua vida.

Moral da história: não tem moral da história. Quero que me ajudem a identificar culpados e inocentes. Obrigada.

você nunca será diferente e único, buscando um padrão para seguir.

Tristeza não se disputa, nem se justifica.

A vida é uma corrida

O tempo sempre foi uma temática recorrente em meus textos (por exemplo: aqui, aqui e aqui). Ao mesmo passo, quem me conhece já me ouviu dizer que a vida é uma corrida que se trilha, invariavelmente, de mãos dadas com alguém; se a pessoa não aguenta o ritmo, solta-se da mão, e logo haverá uma nova atada à sua. Esquerda ou direita.

Essa é a relação entre tempo, espaço e velocidade, ao menos para mim, que nunca fui bem em Física.

Durante essa existência, minhas mãos estiveram entrelaçadas às de muitas pessoas, e com todas aprendi. Mas, principalmente, com as que pesaram ao longo do caminho e soltei, permitindo-me uma trajetória mais leve e rápida.

Essas pessoas representam o meu limite. O limite de minha paciência e altruísmo, fazendo-me exercitar a serenidade, o que me tornou mais flexível. Também, o despertar do respeito às minhas necessidades, tantas vezes urgentes, deixadas para “um momento mais propício”.

Essas pessoas tinham algo em comum: apesar de viverem cada dia como se fosse o último, não caminhavam compassadas nesse sentido. Havia uma certa malemolência, um ar displicente sobre si mesmas. E é justamente neste ponto que se revela minha noção de efemeridade.

Meus olhos sobre o futuro todos os dias. A consciência de que, realmente, pode ser minha última hora. E a saudade intermitente de quem segura minhas mãos agora.

o umbigo é o maior buraco do universo. cuidado para não cair nele.

Todos olham, muitos vêem, poucos enxergam

Três verbos semelhantes que expressam ações distintas.
Eu olho, tu olhas, ele olha. Nós olhamos. Todos nós olhamos o dia passar e os acontecimentos terem uma seqüência de vinte e poucos quadros que os olhos são capazes de captar. Olhamos também com a alma, principal órgão sensitivo do corpo humano. Esta sim é que bifurca a ação. A partir da alma sabemos se vamos ver ou enxergar.
Eu vejo, tu vês, ele vê. Nós vemos o que queremos, um falso enxergar. Ver nos remete a conceitos, em sua maioria bitolados pela pretensa razão. Ver é uma falsa modéstia que adquirimos para julgar. E o julgar é uma rocha gigante prostrada na caverna do ser. A rocha velha e imóvel impedindo o enxergar.
Eu enxergo, tu enxergas, ele não enxerga. E os pronomes podem se alternar conforme a música soa aos ouvidos. Um processo que independe do tempo. Enxergar está atrelado à verdade e enxergar é preciso, mesmo que signifique nossa própria condenação. Enxergar é o passo certo para uma ascensão desprovida de mágoas e ressentimentos.
Olhar é óbvio.
Ver é falso.
Enxergar é real.