mundinho besta

o mundo das aparências engana.
o mundo das máscaras cai.
o mundo da vergonha é alheio.
o mundo da tristeza não tem fim.
o mundo do pássaro na mão não voa.
o mundo roda moinho à toa.

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palavra rasa

giz e palavra, mesma raiz.
seu pouco uso, rasa medida
de peso e matiz.
em demasia, língua minguada
em leviano frenesi.

Emplastro silencioso

Não há nada que cause mais surpresa do que a tristeza cotidiana. Sabe, a tristeza não é algo que se escolhe e, como já escrevi, não é um motivo para competir. “Minha tristeza é maior do que a sua” não existe. Existe respeito à tristeza do outro e ao próprio sentimento de perda. Existe o tempo dado, necessário para superação. Existe paciência e compaixão, empatia – essa palavra usada tão pejorativamente hoje em dia.

Sabe, existe o espaço da tristeza e o espaço do abraço, que ocupa melhor com silêncio, como um emplastro sobre o vazio da perda. E existe a cola do abraço que custa a sair e só faz algum barulho na chegada hora de soltar. Pode ser um “está tudo certo, vai ficar tudo bem”.

Não se escolhe a dor do dia, nem o dia da dor. Mas, quando ela vem, não há mágica, não há autoajuda, não há vodka que faça esquecer. O caminho mais curto para dissipá-la é a aceitação e o silêncio. E o abraço de quem tiver pra dar.

peregrino

que não haja paciência.

apenas aja.

pois não há compaixão

onde a tônica é a indecência.

que não haja paixão

onde o escárnio é inquilino,

apenas aja.

e que não haja dor.

seja peregrino

em corações estrangeiros

ao limbo.

que aqui não há tolerância,

então aja.

parta já. haja amor,

tenha dó.

ela em nós

houve um tempo em que eu escrevia porque sentia.
hoje sinto que não escrevo o tanto que gostaria.
carente estou de mim, poeta daqueles dias,
onde passava as horas dentro de minhas vísceras
por ser eu o que eu mais queria.
agora olho, com saudade, aquela moça
distante de mim, pois hoje sou tantas
— mulheres, donas de casa, senhoras de si
na luta algoz de ser moça no espelho,
imagem mais rente que o tempo alcança.

miss blue cansa

quando o que outrora
lhe faria queimar em ira,
agora, apenas triste,
lhe baixa a mira.

sou mariana

faço parte das tradicionais
superficialidades animais.
sabe como é,
amar a superfície ajuda
a perpetuar a espécie
quando parece perdida.
fudida, coitada, antes fosse
o que era do barro ao mato
agora lama, pó, fogo e maldade.
é tarde, baby, amar já não pode.
quem sabe, jurar a busca pela paz.
a morte aqui jaz.

felicidade sem adereços

namoro não é manter matriz e filial.
casamento não é ficar aos pés do altar.
aliança não é simplesmente ter ouro na mão.
projeto de vida não é abrir mão do momento.
amar não é passar por cima de tudo.

assim, é menor a dor que se teme
e mais simples o sonho que se vive.

eco surdo

a verdade silencia
entrelinhas
– as pausas do que sei.
oh, consciência pungente
da falsa jura intermitente.
de si, eco surdo impreciso.
de mim, o lamento lancinante.

Robin Hood em Copacabana

Robin hood, o Príncipe dos ladrões

Originalmente, Robin de Locksley era filho do Barão Locksley e viajava com Rei Ricardo nas cruzadas. Foi preso e, ao fugir, retornou à Inglaterra, percebendo as mudanças: Príncipe John tomou o trono do herdeiro Rei Ricardo em virtude de sua ausência, aumentou os impostosmatou o pai de Robin, destruindo seu castelo. Sem ter onde morar, Robin passa a morar na floresta, onde conhece um grupo de homens e, ao lado deles, trava batalhas contra o Príncipe John: rouba-o e devolve ao povo o dinheiro da arrecadação de impostos. Assim, nasceu Robin Hood, o príncipe dos ladrões.

GLOSSÁRIO DE SENTENÇAS

1) Robin era filho do Barão: burguês
2) Príncipe John tomou o trono: governo golpista
3) Príncipe John aumentou os impostos: governo ganancioso
4) Príncipe John matou o pai de Robin: governo formado por criminosos
5) Robin mora na floresta: por saque e destruição causado pelo governo, o burguês passa a viver na periferia
6) Robin trava batalhas contra o Príncipe John ao lado dos homens da floresta: o burguês luta junto com o povo da periferia contra o governo ganancioso
7) Robin devolve ao povo o dinheiro da arrecadação de impostos: o burguês, agora conhecido como ladrão, devolve o dinheiro do povo para uma construção social mais justa

RESUMO

Robin fazia sua parte para a expansão do reino/povoado.
Robin foi roubado pelo governo, mesmo sendo filho do Barão.
Robin também perdeu tudo, mesmo sendo filho do Barão.
Robin não roubava o povo.
Robin não roubava quem pagava imposto.
Robin não roubava o dinheiro dos impostos para si.
Robin não matava nem para melhorar de vida, nem para ter o que lhe era de direito.
Robin estava ao lado do povo que trabalhava e que, com dificuldades, pagava os impostos ao governo.
Robin liderava um grupo de homens para retomar o dinheiro dos impostos e devolvê-lo ao povo.

APROFUNDANDO

Robin não roubava o celular, a bolsa, a carteira, a casa, o carro de quem, com dificuldades, pagava os impostos ao governo.
O governo, representado por Príncipe John, era golpista, ganancioso, criminoso e roubava tanto a burguesia quanto os mais pobres.

Conclusão

Todos podemos ser Robin Hood, desde que nossa mira esteja certa.