somente quando se ama
é que se sabe que ser um
não tem a ver com matemática
mas com a graça da vida
se deixa levar pela crença
de que nada acaba um dia
cada manhã um recomeço
cada abraço energia
somente quando se ama
é que se conhece limites
e reconhece fronteiras
entre a alma, o beijo e a cama
se morre um pouco por dia
quase não sente o corpo cair
mas ao morrer tudo de uma vez
impossível não sentir o chão comer
as mãos os pés os planos a fé
não interessa com quantas letras
escrevam o adeus no jazigo
melhor seria ouvir em vida
todos os dias ao pé do ouvido
a trouxa de roupa
a trouxa sem roupa
a trouxa despida
que acha que é única
quando vê pela janela
a fila
Versátil como todas elas:
choro conquisto amo jogo fora.
Versátil, como todas elas.
Cá cheia minha vida
como infrutescência
gotas de uva
Cachos
dormente sonho
como nova cheia lua
Faço bagunço sonhos
beijo
cachos de chuva
Dei pra olhar teus retratos
ver tuas mensagens passadas
me matar de saudade ciúme raiva
Dei pra tentar musicar
teus passos até tua casa
achar que sotaque é melodia da fala
Dei pra pensar que podia
ter teu querer um dia
só por querer te ter
Dei pra sonhar alto, cair dos balões de ar
que prendias entre os dedos
e soltaste pra eu voar
eu amo e ponto.
mas não é só isso:
você, meus versos
nossas vidas, os laços.
enfeites do cotidiano.
eu sou lívia gusmão.
às vezes, miss blue.
ainda não sei
quem é a maior parte de mim,
mas existo em fragmentos,
palavras e silêncio.
escrevo e ponto.
porque as letras brotam
em verso letra e prosa.
não sou o vinho que resta,
mas o que transborda da taça.
toma-me com calma até a metade.
mata num só gole a outra parte.
Vem, entra nessa jangada
Navega comigo por esse mar
Vem, está tudo certo
Nossa viagem já vai começar
Vem, entra nessa casa
Que tem janela voltada pro mar
Vem, que a noite é enluarada
E os seus olhos já vão mergulhar
Nos meus pensamentos vastos
Dançar comigo sobre as águas do mar
Cantar suas canções em meu ouvido
Deixar meu corpo no seu flutuar
E meus braços repousam em seus ombros
Quando meu corpo o seu se apossar
Vai, derruba fronteiras
Que a vida começa de frente pro mar
Calada da noite
No balanço da nêga
Calei minha boca
A sua se abriu
Minhas pernas sambaram
Os ombros erguidos
E os olhos fechados
Você sorriu
Dançou ao meu lado
Calado, sedento
Depois um abraço
Apertado e molhado
Suingue da noite
Com a lua a cobrir

